quarta-feira, junho 30, 2004
Os pássaros que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá...
Boletim das Terras da Rainha
Você consegue conceber um banheiro sem o vaso sanitário? Pois os ingleses conseguem!!! Pode acreditar, aqui isso é comum.
Ah, mas os pássaros que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá...
Não é que não haja banheiro, mas simplesmente vaso sanitário e todo o resto não compartilham das mesmas dependências.
Faz-se necessário neste momento um esclarecimento, não me refiro ao lavabo e banheiro, que são coisas completamente distintas, mas à um cubículo com o vaso e mais nada e outro que se aproxima com aquilo que chamamos de banheiro.
Ah, mas minha terra tem primores, que tais não encontro eu cá...
Inglês no máximo tem um chuveirinho, daqueles de banheira mesmo para o seu shower. O resto, é quase como o nosso... Bem, mas ducha pra que se não tomam banho todos os dias?
Ah, mas a minha terra tem palmeiras onde canta o Sabiá...
Outra obra da engenharia inglesa é o encanamento, que primor!!!
Se tomar banho não pode lavar a louça, se lavar a roupa não toma o banho e se lavar a louça fica com a roupa suja.
Que beleza não?!
Canção do Exílio
Antônio Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
domingo, junho 27, 2004
Public House
Boletim das Terras da Rainha
Como poderia fazer um relato de Londres sem ao menos mencionar os pubs? Se tem algo que combine com o inglês isso é o pub!
Aqui nas terras da rainha há muitos, mas muitos pubs. Estes não são como a maioria dos "sujinhos", os butiquins em que se bebe e come à preços honestos, onde o dono do estabelecimento fica atrás do balcão ouvindo AM, servindo o freguês e preparando o especial da casa.
Os butecos ingleses são uma extensão do estilo arquitetônico londrino, um charme só!
Originalmente os pubs além de servir comida e bebida ainda ofereciam quartos para passar a noite e pátios para as carruagens. Alguns pubs ainda preservam essa tradição, mantendo uma hospedaria, como o The Windmill on the Common, o primeiro em que bebi.
Aqui nas terras da rainha pode-se pedir por um pint, medida que equivale a 0,57 litros de cerveja ou ainda por aquelas engarrafadas com as seguintes variedades, light ale, pale, brown, old e barley wine, todas sem gás e servidas na temperatura ambiente.
Aos que apreciam algo mais leve há a shandy, mistura de chope ou lager com soda. Para quem não bebe cerveja as opções são a cidra, tradicional bebida inglesa produzida com maçã e o gim ou ainda, as bebidas de inverno, o vinho quente e os toddies, feito de conhaque ou uísque com água quente e açúcar.
Para acompanhar tudo isso só mesmo fazendo alguma refeição. Os pratos tradicionais dos pubs são o ploughman's lunch (pão crocante, queijo e picles doces) e o shepherd's pie (carne ovina moída, legumes e cobertura de purê de batatas).
Outra tradição local são as casas de Fish and Chips que servem o peixe empanado (linguado, raia ou bacalhau) acompanhado de de batatas fritas, sal, vinagre, pão e picles de cebola.
sexta-feira, junho 25, 2004
A primeira impressão
Boletim das Terras da Rainha
Londres é linda! Repleta de antigas construções contrastando com o moderno em uma interessante mistura harmônica.
Este é um país que valoriza o seu passado em cada um de seus palácios, prédios e praças, e que também conserva sua memória; há muitos museus aqui.
Construções mais recentes são facilmentes identificadas, já que muitas casas são do século XVII, XVIII.
Salvo as devidas proporções o estilo de construir inglês é um só. Aqui é diferente porque é tudo igual!
A cidade está em constante movimento, pessoas dos mais diferentes lugares do mundo vem e vão em carros, ônibus, trem, metrô ou mesmo como eu, de bicicleta.
O transporte coletivo aqui é algo que funciona. Pode-se ir de metrô a qualquer ponto da cidade, mas por outro lado o trânsito é um problema. Não há, praticamente, grandes avenidas para fluir a frota de veículos.
E que carros! Ferrari é coisa comum aqui nas terras da rainha.
Mas se o trânsito é motivo de estresse o local certo de curar este mal são os belíssimos parques.
Cada bairro tem o seu, um mais bonito que outro! Os parques são enormes e dotados de projetos paisagísticos maravilhosos.
Os parques em Londres são uma opção de lazer comunitária, gente que vai com a família e até o cachorro desfrutar de momentos ao ar livre e aproveitar o Sol, que aliás é coisa bastante rara por estas bandas.
Londres está a quase 52º de latitude e isso traz algumas implicações. No auge do verão o tempo de exposição à luz é muito grande, vai de aproximadamente 3:00 até 22:00, mas no inverno quase não há luz, uma vez que amanhece as 8:00 e as 16:00 já está escuro de novo.
Como o horário comercial daqui vai de 9:00 até 17:00 muitas pessoas sequer vêem a luz do Sol neste período.
Para quem consegue pegar praia até no inverno, ir ao parque pode parecer programa de índio, mas não para os ingleses.
domingo, junho 20, 2004
Solstício de verão
Boletim das Terras da Rainha
Na véspera do solstício de verão do hemisfério norte o Sol vem para nos saudar e celebrar o reencontro com uma grande amiga que também está aqui nas terras da rainha: a Déborah.
sexta-feira, junho 18, 2004
A Chegada
Boletim das Terras da Rainha
Ao desembarcar no aeroporto de Heathrow ainda precisava passar pela imigração. Não tive grandes problemas, em menos de cinco minutos de entrevista fui liberado e ganhei visto de turista por seis meses. Nem tive a mala revistada como outros passageiros que estavam em meu vôo. Deu tudo certo, e olha que viajei com um canivete suíço no bolso!
Provisoriamente meu endereço será o da casa de meus primos que me acolheram aqui. Lá vai então...
35A, Nimrod Road
SW16 - 6SZ
London - England
quinta-feira, junho 17, 2004
A partida
Sentei aqui em frente ao PC para escrever isto as pressas porque logo mais estarei a caminho do aeroporto para embarcar no vôo KL 0798 as 22:40 em Guarulhos com destino a Amsterdã. Chego lá as 15:10 faço uma conexão com o vôo KL 1021 para aí sim embarcar as 16:05 e desembarcar finalmente no aeroporto Heathrow nas terras da rainha as 16:20, horário local.
Levo comigo 900 libras esterlinas, na bagagem uma cuia para chimarrão, uma excelente cachaça, os CDs do Nelson Cavaquinho, Jorge Ben, Chico Buarque, Men at Work, Jamiroquai, trilha sonora de Corra Lola, corra e é claro Iron Maiden além os meus bons amigos em pensamento!
Ainda não tenho comigo a possibilidade de retorno definida, isso definitivamente é algo que vai ser moldado de acordo com as circunstâncias. A única certeza que tenho é que quero passar uma longa temporada por lá...
Sabiá
Tom Jobim - Chico Buarque / 1968
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
quarta-feira, junho 16, 2004
Construindo a casa do Oscar
"A casa do Oscar era o sonho da família. Havia o terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.
Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e sai batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguazes, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquale casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.
Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando a minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é a casa do Oscar."
Assim como a casa do Oscar, a viagem à Londres foi um processo de construção, e começou a ser concebido ainda em 1993. Nesta época fui apresentado a uma Londres de atmosfera sombria, misteriosa, mergulhada em crimes e enigmas, este, era o universo que criara Sir Arthur Conan Doyle e que começava a exercer um certo facínio sobre mim.
Nesta época, lia muitas histórias de Mr. Sherlock Holmes e ficava a imaginar o dia em que iria caminhar em Londres pela Baker Street e adentrar ao escritório, no apartamento 221 B, deste exímio detetive e seu fiel companheiro, o Dr. John H. Watson.
Ainda neste mesmo ano ingressei em um curso de datilografia. Só quem já o fez sabe o quão chato são as aulas no início: repetir exaustivamente os mesmos exercícios durante horas.
Ao final da primeira hora, por mais que não estivesse com sede, sempre ia beber água. Essa era a forma que encontrara como fuga! E toda semana esta rotina se repetia.
Nestas minhas fugas programadas não tinha muito com o que me distrair a não ser um mapa mundi que analisava detalhadamente. Ali, perto da cidade de Londres, passa o meridiano de Greenwich que é um ponto de referência para os fusos horários. Era inevitável não estabelecer qualquer comparação com a tradicional cidade londrina e o resto do mundo. Então, toda vez que olhava o mapa, centrava as atenções sobre a capital inglesa e dizia: ainda vou conhecer este lugar.
Mais tarde, já na universidade, senti a necessidade de fazer um intercâmbio e estudar a língua inglesa, porém a semente já havia sido plantada e o local já estava definido. Passei a aspirar por esta sedutora velha cidade chuvosa e cinzenta!
Agora, não mais queria apenas conhecer aquela Londres das histórias de Sherlock Holmes, mas fazer parte da cidade!
Distante o sonho de me mudar para as terras da rainha...
Mas há pouco mais de quatro anos, quando estava no terceiro ano da graduação, meus primos foram morar justamente em Londres, e, junto com eles, foi a promessa de que talvez um dia este antigo sonho viesse a se tornar realidade.
Agora, apenas um dia antes de partir para a terra do também biólogo Charles Darwin, atingi o meu objetivo, fruto de meu próprio esforço e trabalho árduo. É a coroação de um ideal perseguido com obsessão e muita obstinação!
A todos aqueles que me apoiaram nesta empreitada o meu muito obrigado!!!
sábado, junho 12, 2004
A célebre fotografia!!!
Naquela noite 250 mil pessoas foram conferir a Donzela em uma de suas melhores fases. A turnê de Brave New World marcava o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith à banda. Talvez esta seja a sua melhor formação desde que foi fundada, com nada menos do que três guitarras!
A apresentação foi excelente, com um ótimo set list executado em mais de duas horas de uma espetacular atuação de cada um dos integrantes, especialmente Mr. Janick Gers que parecia estar possuído.
Pude assistir a tudo isso junto à grade que continha o público, a pouco menos de três metros do palco. E foi exatamente do local em que estava que foi feito este registro para ilustrar o encarte.
Mas vamos aos fatos.
a) Durante toda apresentação fiquei perto do telão bem como da câmera acoplada a um braço mecânico, ambos localizados do lado direito do palco. A fotografia foi tirada da direita para a esquerda captando parte desse público. Há indícios que corroboram essa hipótese.
Dividindo o público, na direção do centro do palco, havia um corredor por onde passavam os técnicos de som, luz e vídeo. Tal corredor tinha início no palco e se estendia até a torre de som e iluminação. Qualquer fotografia tirada com as características anteriormente mencionadas necessariamente denunciaria um corredor vazio, ausente de qualquer público.
As tendas que abrigavam os demais palcos e que aparecem em segundo plano estão muito próximos ao público. Sendo assim, estaria refutada a possibilidade da fotografia ter sido tirada a partir da extrema esquerda do palco principal.
No entanto, a fotografia poderia muito bem ser o registro do lado oposto, esquerdo, utilizando-se o recurso de espelho para aparentar ter sido feita do outro lado. A prova irrevogável a isto são os dizeres nas camisetas das pessoas que ali trabalhavam que não aparecem invertidos.
Em suma, de forma alguma essa fotografia poderia ter sido feita de qualquer outro lugar que não a partir do quarto direito do palco. Quanto a isso não há dúvidas.
c) Na noite metal, em que tocaram Sepultura, Rob Halford e Iron Maiden, estava de camiseta branca assim como em minha suposta fotografia. Destaco aqui o valor que isso tem frente ao gênero executado neste dia. Quantas pessoas poderiam estar trajadas assim nesta ocasião? Suponho que bem poucas.
d) Do mesmo modo que ressaltei a relevância de usar branco na noite Heavy Metal, acrescento a isso o fato de não ter cabelos longos. Preto e cabelos compridos são quase uma regra em meio ao público que curte este som. Na fotografia a pessoa em questão tem cabelos curtos.
e) Junto ao alambrado e imediatamente ao meu lado esquerdo havia um casal, assim como na fotografia, que assistiram a toda a apresentação ali.
f) Analisando a fotografia nota-se que a pessoa em questão é de uma estatura superior a maioria dos demais ao redor. Pois bem, tenho 1,92 m de altura, muito acima da média padrão nacional.
g) Ao ver a fotografia pela primeira vez notei uma semelhança comigo, mas vale ressaltar que a mesma não goza das perfeitas condições de qualidade.
Todavia submeti a fotografia a apreciação de minha família e a amigos que se dividiram quanto a realmente ser eu ali. Fica aqui a dúvida. Qual a probabilidade desta mesma cena ser recorrente? Quais são as chances de uma pessoa bem alta também; de branco e cabelos curtos; que assistiu ao show do lado direito do palco; a direita de um casal; junto ao alambrado e que por algum motivo ainda estava de lado voltado para o palco?
Temos que admitir que é pouco provável que algo assim se repita, mas naquele dia havia 250.000 pessoas. Não posso afirmar com total convicção que seja eu naquela fotografia que aparece no álbum da banda, mas há muitos indícios para pelo menos suspeitar.
Diria que há ao menos 90% de chances de ser verdade.
terça-feira, junho 08, 2004
Cupinzeiro
"Dizem que quando os cupins abandonam o ninho, as cobras sobem em cima dele e atraem as vacas para poder mamar nelas. A vaca fica ‘doida’ para a cobra mamar e todos os dias, na mesma hora, ela vem, ficando bem em cima do cupim, onde a cobra está enrolada e somente com a cabeça para cima”
(Marconi, 1963)
"Quando à flor dágua do céu
se encrespa a curuca das estrelas faiscantes,
os cupinzeiros soltam
As esquadrilhas das aleluias,
Que semeiam os campos
De pequeninas asas mutiladas...”
(Constantino, 1927)
No entanto, o trecho que destaco como mais significativo é também o mais técnico. Devido a minha formação acadêmica observo com maior interesse científico as possíveis evidências nele apresentadas.
“Os térmitas [cupins] podem ser a resposta aos problemas de mineração da Rodésia, segundo uma teoria apresentada por Bill West, um mineiro rodesiano. Depois de vários anos de pesquisas, ele tem razões para acreditar que os térmitas podem indicar, acuradamente, os picos de minerais enterrados dezenas de metros abaixo da superfície do solo. Os térmitas não podem abrir passagem na rocha dura; assim, acredita West, que eles abrem passagem para a água nas fissuras, a fim de conservar úmido seu cupinzeiro. O material escavado por esses insetos é depositado na superfície do cupinzeiro e uma amostra deste dará um valor médio do teor mineral de uma área considerável. Jamais foram feitos prospectos para minerais de valor em enormes áreas da Rodésia, por causa do bloqueio das camadas de areia ou pedregulhos do Kalahari. Amostras de campo, de mais de 3000 cupinzeiros, foram coletadas pelo governo, que está interessado em aumentar a produção vacilante de minerais do país. Depois de mapear e examinar ao microscópio as amostras, foram feitos testes de perfurações a diamante. Há uma estreita correlação entre os lugares onde os verdadeiros troncos de minerais foram encontrados e as amostras de cupinzeiros que indicaram a presença de minerais.”
(O Estado de São Paulo de 26 de Novembro de 1971)
Os melhores momentos que vivi neste último ano tinha data e hora marcada para acontecer. A cada quatorze dias, sempre aos domingos, freqüentei com assiduidade às rodas de samba do Núcleo de Sambistas e Compositores do Cupinzeiro.
Apesar de os integrantes do núcleo serem muito competentes e o som ser de excelente qualidade, o que menos atraía neste ambiente era a música. Na realidade, o samba ali apenas celebrava algo maior!
Nestas rodas de samba havia uma diversidade de pessoas muito grande. O encontro de gerações, classes sociais e de grupos étnicos ocorria com harmonia, respeitando as diferenças em um espaço democrático e que era construído por todos.
O que fez do Cupinzeiro um ambiente tão especial foram as pessoas e naquilo em que elas acreditam. Ali, avesso ao que acontece em outros lugares, todos são iguais e encorajados a ter voz ativa, independente de suas origens ou mesmo grau de escolaridade. O espaço sempre foi livre para que as pessoas trocassem experiências, ainda que publicamente, sem que houvesse qualquer forma de repressão ou mesmo censura.
O importante ali era a unidade deste grupo, coeso em seus ideais. Gente preocupada em fazer um mundo melhor, sem segregação de qualquer ordem. Nestes encontros todos eram convidados a discutir e refletir a nossa realidade, que muitas vezes se mostra à nós de forma injusta. E a música, principalmente aquela feita nos morros, nas favelas, nos guetos, enfim, feita pelas camadas mais populares, atende a esse fim. Deste modo, o samba já denota em suas origens esse caráter crítico que lhe é típico.
A própria informalidade do espaço corrobora com o objetivo do projeto. Ninguém que ia pra lá estava simplesmente em busca do entretenimento proporcionado pela ótima música. As rodas de samba aconteciam de forma totalmente improvisada, dentro da casa de um casal de integrantes do núcleo. Eles abriam seu lar para que outras pessoas pudessem ir pra lá, simplesmente porque acreditavam no projeto.
Com pouca estrutura física para funcionar o Cupinzeiro jamais almejou lucrar com suas atividades. Era pedido aos que o freqüentavam apenas uma contribuição simbólica e que mal dava para custear as despesas com sua manutenção.
O Cupinzeiro conseguiu reunir todo tipo de pessoa. Gente humilde e gente importante, de crenças variadas, de diferentes cores, de regiões por vezes opostas, gente de uma diversidade tão rica quanto o nosso país. Pode-se dizer que o Cupinzeiro era, de certa forma, um retrato do Brasil. Basta acreditarmos que esta utopia chamada Cupinzeiro é possível de acontecer em nosso dia a dia e pode sim ser estendida à outras esferas!
Ao final de cada roda de samba todos se uniam num abraço coletivo, como que para selar o compromisso que temos com o nosso meio e celebrar as diferenças que fazem de um povo uma nação!
Aonde mais isso seria possível de ocorrer que não num terreiro de samba?
Homenagem ao Cupinzeiro
Autores: Edu de Maria / Bruno Ribeiro / Anabela / Ênio Bernardes
Um terreiro
duas mangueiras
um cupinzeiro
muita gente, muito samba
assim, na batalha e na conquista
com graça e com malícia
nessa vida de aprendiz
nesse canto brasileiro
tradição do meu país
aprendendo com meu povo
um modo de ser feliz
o samba é uma festa brasileira
é cultura verdadeira
que nunca vai ter fim
e é por isso que eu canto
a noite inteira
bem debaixo da mangueira
um refrão que diz assim:
"salve o samba brasileiro
abençoe esse terreiro
de samba, luar e cupim"______________________________________________________
Bibliografia
LENKO, K. & PAPAVERO, N. 1996. Insetos no folclore. 2ª ed. São Paulo : Plêiade/FAPESP, 1996. 468p.
_____________________________________________________Referência Bibliográfica
ANÔNIMO, 1971. Térmitas revelam tesouros. O Estado de São Paulo, 26 nov. 1971.
CONSTANTINO, A., 1927. Este é o canto de minha terra. São Paulo : Editora Hélios Ltda. 149 p.
MARCONI, M. de A., 1963. Cupim no folclore. Comércio de Franca, 7 de fev. 1963.
domingo, junho 06, 2004
Vida boêmia
Acordei tarde, mais de meio dia, e sem almoçar fui à Festa Junina do Colégio Ave Maria. Revi muitos amigos, professores, funcionários, irmãs e junto a isso tudo, cerveja e quentão. Lembranças recordadas de um tempo bom. Brindemos a isso então!!!
Algumas horas depois fui com alguns bons amigos desta mesma época à um churrasco. Chegando lá mais cerveja e vinho!
Com tanto álcool na cabeça o caldo começou a entornar... Dei em cima da irmã de um amigo, sai sem me despedir do anfitrião e o pior, não me lembro o por quê de ter ido embora. Como se não bastasse tudo isso ainda recebi uma ligação cujo conteúdo não saberia reproduzir. As 20:30, já em casa, fui dormir e dei o cano em uma guria que estava saindo...
Mas que dia cão!
Vacilão
(Zé Roberto)
Olha só o pé-quebrado que o sujeito arrumou!
É meu irmão,
Mas quem não escuta cuidado
Escuta coitado...
Aquilo que era mulher,
Pra não te acordar cedo saia da cama,
Na ponta do pé,
Só te chamava tarde, sabia teu gosto,
Na bandeja café,
Chocolate biscoito salada de frutas,
Suco de mamão,
No almoço era filé mignom,
Com arroz a la grega, batata corada,
Um vinho do bom,
E no jantar era a mesma fartura do almoço e ainda tinha opção
É, mais deu mole ela dispensou você,
Chegou em casa outra vez, doidão,
Brigou com a preta sem razão,
Quis comer arroz-doce com quiabo,
Botou sal na batida de limão,
Deu lavagem ao macaco, banana pro porco, osso pro gato,
Sardinha ao cachorro, cachaça pro pato,
Entrou no chuveiro de terno e sapato,
Não queria papo,
Foi lá no porão,
Pegou o “trêsoitão”,
Deu tiro na mão do próprio irmão,
Que quis te segurar,
Eu consegui te desarmar,
Foi pra rua de novo,
Entrou no velório pulando a janela,
Xingou o defunto, apagou a vela
Cantou a viúva mulher de favela,
Deu um beijo nela,
O bicho pegou a polícia chegou,
Um couro levou, e em cana entrou,
E ela não te quer mais
Bem feito
Aquilo que era mulher
É cumpadre, agora chora
Chora na cama que é lugar quente
Fala Zeca da cuíca
sexta-feira, junho 04, 2004
Silvinho, o cafetão
Ultimamente, vim a tornar me um verdadeiro boêmio, vivo de bar em bar. Em muito, devo o atual estilo de vida a este cadelo.
Grande abraço pra ti, Sílvio do estômago alto.


















