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sábado, agosto 28, 2004

Beijado pela cidade 

Boletim das Terras da Rainha

A noite de Londres tem vida própria! Esta cidade funciona como um ser animado, cíclico, orgânico. Pelas ruas, praças públicas e avenidas pessoas circulam trazendo calor, produzindo sons que ecoam frente a edifícios imponentes. Luzes publicitárias ou que promovem eventos atestam que as atividades urbanas não cessarão tão cedo.

É o bêbado que apenas procura alguém para conversar, o músico solitário e artistas anônimos (e por vezes nem tanto!) que tentam garantir o sustento familiar, passeatas de grupos religiosos e ativistas políticos que fazem deste meio uma forma de livre expressão.

Em que outro lugar do mundo se pode ver tanta diversidade e pouca unidade? Londres é tudo isso!

Trabalhar nas ruas tem essas vantagens, pode-se entender um pouco melhor o que se passa enquanto a cidade insiste em não dormir. Por vezes parece que não somos bem recebidos nela, devido a tanta hostilidade, mas por outro lado tenho que admitir que também há ocasiões em que nos convida para uma noite de amor...

Não são raras as ocasiões em que recebo propostas de passar a noite com algumas das eventuais clientes que estiveram na rickshaw comigo. Em especial destaco a primeira experiência de tal gênero.

Uma prática bastante comum aqui são as festas de despedida de solteiro que ocorrem principalmente na região chamada West End, o buxixo de Londres. Aos homens a regra são os clubes de streaptease, já às mulheres a coisa muda um pouco de figura. Elas podem simplesmente desfilar, fantasiadas, seu futuro estado civil alugando uma limosine ou mesmo um ônibus, desses de transporte coletivo público, e transformá-lo em uma boate particular etinerante, com direito a música e iluminação própria!

Pois bem, parte desta festa é promovida pelas amigas da noiva em questão que propõem um desafio a ela. Em um deles eu estive incluído.

Aconteceu em uma noite de sábado, logo quando iniciei neste trabalho. Neste dia encontrei uma gravata em ótimo estado na rua, fiz o nó, e desde então, virou acessório de trabalho. Alguns minutos depois, um colega de profissão presenteou me com um chapéu marroquino. Tudo para atrair a atenção dos clientes!

Além do chapéu marroquino, da gravata séria, ainda vestia aquela camiseta, que todos já me viram usando, dos três patetas. Trajado desta maneira era o próprio quarto integrante da trupe!

Foi então que, as pressas, correndo até mim, veio uma guria de uns 23 anos, estatura mediana... parou em frente de minha rickshaw ...cabelos castanhos claros... recuperando o fôlego ...lisos e longos até os ombros... disse que iria se casar em duas semanas e que aquela noite era sua despedida de solteira ...com olhos amendoados... e que tinha um desafio: me beijar! ...cheirosa e com uma boca sensual e com um gosto delicioso!!!

Olha só o local aonde isso aconteceu, na junção da Upper St. Martins com a St. Martins Lane!

Ela foi só a primeira inglesa que beijei!

Definitivamente as noites de Londres são repletas de vida e paixão!


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