sexta-feira, maio 21, 2004
É perigoso pensar
Recém chegado da Alemanha, aonde foi ovacionado pelo público, Tom Zé veio se apresentar na Cooperativa Brasil em Barão Geraldo. Este distrito exala conhecimento, é o pólo tecnológico da região metropolitana de Campinas, abrigando a Universidade Estadual de Campinas, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e vizinho da maior refinaria de petróleo do país, a Refinaria de Paulínia. Pois é justamente neste cenário, com alto cunho intelectual, que este artista de múltiplas faces mostrou a sua música e deu o seu recado.
Avessa a todo este ambiente sofisticado a casa noturna ostenta um pouco do interior do Brasil. Lá a comunidade universitária toma xiboquinha, catuaba, ypioca e jurubeba juntamente com as camadas mais populares e a pimenta que tempera esta mistura é o forró. A Cooperativa Brasil é o quintal da Unicamp, é a porta que dá acesso à rua dos que não fazem parte deste processo de produção do conhecimento. Mas neste terreiro a manifestação cultural acontece e gera um mundo tão rico quanto aquele formal, que a ciência cria e recria a cada nova experimentação.
Nos fundos deste lugar tão peculiar há um palco montado sob uma lona que forma um picadeiro a céu aberto. É um ambiente mais do que adequado à este artista performático, de formação erudita e que insere na música suas raízes folclóricas, como o bumba-meu-boi e canções de roda. Ao cantar o seu Brasil, Tom Zé é extremamente crítico, mas não perde a ternura e singeleza que são próprias do meio circense.
Diante das adversidades que nosso povo enfrenta de sol a sol, observamos artistas populares deste grande circo chamado Brasil tentando sobreviver. Com muita alegria e criatividade, nossa gente vai levando a vida como dá, andando na corda bamba, enfrentando leões na unha, balançando em altos trapézios, fazendo mágicas, enfim, fazendo muito malabarismo!
Assim como aos demais países em desenvolvimento, somos subestimados como bem anunciou Tom Zé logo às primeiras horas do dia de hoje: - É perigoso pensar!
Quando a gente pensa o cérebro cresce e surgem pra todo lado Jesus Cristo e Fidel Castro.
Então exercitemos um pouco o nosso intelecto...
Avessa a todo este ambiente sofisticado a casa noturna ostenta um pouco do interior do Brasil. Lá a comunidade universitária toma xiboquinha, catuaba, ypioca e jurubeba juntamente com as camadas mais populares e a pimenta que tempera esta mistura é o forró. A Cooperativa Brasil é o quintal da Unicamp, é a porta que dá acesso à rua dos que não fazem parte deste processo de produção do conhecimento. Mas neste terreiro a manifestação cultural acontece e gera um mundo tão rico quanto aquele formal, que a ciência cria e recria a cada nova experimentação.
Nos fundos deste lugar tão peculiar há um palco montado sob uma lona que forma um picadeiro a céu aberto. É um ambiente mais do que adequado à este artista performático, de formação erudita e que insere na música suas raízes folclóricas, como o bumba-meu-boi e canções de roda. Ao cantar o seu Brasil, Tom Zé é extremamente crítico, mas não perde a ternura e singeleza que são próprias do meio circense.
Diante das adversidades que nosso povo enfrenta de sol a sol, observamos artistas populares deste grande circo chamado Brasil tentando sobreviver. Com muita alegria e criatividade, nossa gente vai levando a vida como dá, andando na corda bamba, enfrentando leões na unha, balançando em altos trapézios, fazendo mágicas, enfim, fazendo muito malabarismo!
Assim como aos demais países em desenvolvimento, somos subestimados como bem anunciou Tom Zé logo às primeiras horas do dia de hoje: - É perigoso pensar!
Quando a gente pensa o cérebro cresce e surgem pra todo lado Jesus Cristo e Fidel Castro.
Então exercitemos um pouco o nosso intelecto...
Politicar
(Tom Zé)
Filha da prática
Filha da tática
Filha da máquina
Essa gruta sem-vergonha
Na entranha
Não estranha nada
Meta sua grandeza
No Banco da esquina
Vá tomar no Verbo
Seu filho da letra
Meta sua usura
Na multinacional
Vá tomar na virgem
Seu filho da cruz.
Meta sua moral
Regras e regulamentos
Escritórios e gravatas
Sua sessão solene.
Pegue, junte tudo
Passe vaselina
Enfie, soque, meta
No tanque de gasolina.
Arrastão de Rimsky Korsakov e do músico anônimo que toca na noite paulistana
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